Foto: Roberto Parizotti (Sapão)
Pauta da CUT, que conta com o apoio do presidente Lula (PT), o maior passo pelo fim da escala 6x1 pode ocorrer nesta terça-feira (6), com a votação no Senado da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221/2019 , já aprovada por unanimidade no dia 28 de maio deste ano pela Câmara Federal.
Para os dois dias de descanso, com no máximo 40 horas semanais de trabalho e sem redução salarial passarem a ser obrigatórios, são necessários 49 votos a favor dos 81 parlamentares que compõem o Senado. Serão duas votações - que podem ocorrer no mesmo dia, ou não, dependendo da decisão de Alcolumbre. Veja abaixo como pressionar.
Porém, até mesmo após Alcolumbre ter marcado a data, a votação, e consequente aprovação, correm risco, já que o projeto pode ser retirado da pauta do dia, atendendo a pedidos da extrema direita que ganhou a maioria das cadeiras para o Senado na eleição do último domingo (4), mas que já tem na Casa diversos senadores da sua base.
O candidato da extrema direita que concorre com o
presidente Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial,
marcado para o dia 25 (domingo) deste mês, já deu declarações que é
contra o fim da escala 6x1.
Pior, Flávio Bolsonaro (PL) é favorável à Proposta de
Emenda à Constituição (PEC), chamada de PEC da Escravidão, tamanho o
retrocesso.
Se aprovada, ao contrário de diminuir a carga horária das atuais 44 horas para 40 horas semanais, o trabalhador vai trabalhar muito mais, podendo ser 7 dias de trabalho por zero de descanso. Isto porque a PEC condiciona a diminuição das horas trabalhadas à redução da renda. Na prática, quem quisesse trabalhar menos teria que aceitar ganhar menos. Já quem precisasse complementar a renda poderia ser levado a jornadas mais extensas e imprevisíveis.
Vai ter de negociar diretamente com o patrão que pode até demitir se você não aceitar essas regras;
Outro retrocesso é o pagamento por hora. Ou seja, quando você não for necessário, não recebe, mesmo que fique em casa à disposição. O pagamento por hora diminui o valor que o trabalhador vai receber no mês, reduzindo também o valor depositado no FGTS, o valor do 13º salário, FGTS, férias, seguro-acidente, seguro-desemprego e outros direitos da CLT.
A Nota Técnica destaca que a PEC transfere para os trabalhadores os riscos das oscilações econômicas e da demanda das empresas. Como não haveria garantia de jornada mínima, a renda mensal poderia variar significativamente de um período para outro.
Isso, na avaliação do Dieese, tende a aumentar a insegurança financeira, dificultando o planejamento familiar e ampliando situações de vulnerabilidade econômica.
Outro ponto levantado é que trabalhadores com rendimentos irregulares podem enfrentar dificuldades para atingir a contribuição mínima exigida pela Previdência Social, comprometendo o acesso futuro à aposentadoria.
Acaba com o salário-mínimo como garantia de renda mensal
A PEC converte salário-mínimo e pisos de categoria em valor-hora, sem instituir piso de horas contratadas. Ou seja, além de não assegurar o valor dos salários; ela promove redução salarial no caso de “flexibilidade” por acordo individual ou coletivo. A consequência para quem trabalha é a admissão de contratos formais com remuneração mensal inferior ao mínimo constitucional, na proporção da jornada pactuada.
Hoje, um trabalhador contratado em jornada integral recebe depósitos mensais de FGTS equivalentes a 8% de sua remuneração. Pela proposta feita pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, quem trabalhar menos horas receberá salário proporcional. Como o depósito do FGTS é calculado sobre o salário, o valor depositado também será proporcional, afetando também os valores de férias e 13º salário.
A redução constitucional para 40 horas semanais como teto obrigatório é convertida como referência meramente formal. O efeito é a neutralização, por via contratual, da norma constitucional de duração do trabalho.
Inversão da hierarquia entre negociação coletiva e contrato individual.
A Constituição federal reconhece convenções e acordos coletivos como direito fundamental do trabalhador. A PEC desloca essa construção ao constitucionalizar a prevalência do pactuado individualmente sobre o coletivo.
O texto enfraquece a atuação dos sindicatos e a negociação coletiva, porque transfere para acordos individuais entre patrão e empregado decisões que hoje costumam ser negociadas coletivamente. Se cada trabalhador puder negociar individualmente sua jornada e sua remuneração, surgirão muitas situações diferentes dentro da mesma categoria. Leia aqui a análise completa do escritório de Advogadas e Advogados LBS.
Diante desses obstáculos é importante que se fortaleça a pressão
pelo fim da escala 6x1.
Com o Na Pressão, é possível selecionar o estado e acessar a lista
de todos os parlamentares daquele estado e então, pressionar cada
um deles.
Basta acessar o link napressao.org.br e clicar em pressionar. Também é possível acessar a plataforma clicando diretamente no banner superior no Portal da CUT.
Os nomes dos senadores estão listados indicando quem é contrário, os indecisos e quem é a favor. É possível verificar o posicionamento de cada senador buscando por estado, por partido ou pelo nome, e mandar mensagens diretamente ao parlamentar.A agitação nas ruas e nas redes sociais também continuam. Na parte inferior do Portal da CUT você pode baixar vários materiais da campanha pela Redução da Jornada e pelo fim da escala 6x1
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Tags: #escala 6x1 #senado #votação
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