Mulheres são as mais afetadas com a perda de empregos formais na pandemia

Entre março e setembro, o saldo entre contratados e demitidos com carteira assinada foi negativo em 897,2 mil vagas, dos quais 588,5 mil eram de mulheres.

Por: PT no Senado
Publicação: 09/11/2020
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Agência Brasil

As mulheres são as mais atingidas com a perda de empregos formais na pandemia da Covid-19 no Brasil. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, apesar de serem minoria no mercado de trabalho formal, as mulheres concentram quase dois terços (65,6%) da destruição líquida de vagas celetistas na pandemia. Os dados foram publicados na reportagem do jornal O Valor desta segunda-feira, 9.

Entre março e setembro, o saldo entre contratados e demitidos com carteira assinada foi negativo em 897,2 mil vagas, dos quais 588,5 mil eram de mulheres. Como nos dois primeiros meses do ano, quando ainda havia saldo positivo de vagas para ambos os sexos, a criação de postos para mulheres também foi menor, elas representam hoje 81% do resultado líquido negativo do Caged em 2020.

“Com a jornada tripla – filhos, casa e trabalho – as mulheres foram as mais atingidas na pandemia. Ficaram sobrecarregadas e perderam empregos, mais de meio milhão de trabalhadoras formais demitidas. Fora as informais que perderam renda, quem teve queda no salário ou precisou pedir demissão”, apontou a presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Para a deputada Professora Rosa Neide (PT-MT), os dados mostram mais uma expressão da desigualdade de gêneros e de que, em quaisquer situações, a mulher tende a ser mais penalizada. “Um cenário cruel que marca toda a problemática que envolve as mulheres no mundo do trabalho. Entre um homem e uma mulher a ser demitida, está difícil escolha é marcada de alguma forma pelo machismo e sexismo que marca nossa sociedade”.

A deputada Margarida Salomão (PT-MG) disse que para o Brasil alcançar a igualdade de direitos no mercado de trabalho entre homens e mulheres ainda será preciso “uma luta árdua e diária”. “As mulheres estudam mais, ganham menos e gastam mais tempo com tarefas domésticas do que os homens. As funções que normalmente são ocupadas por mulheres foram mais atingidas pela retração da economia causada pela pandemia. Discriminadas até pela possibilidade de serem mães, têm mais dificuldade para conseguirem empregos e acabam, na maioria das vezes, no mercado informal, onde a rotatividade é ainda maior”, afirmou a parlamentar.

Estoque de empregos inferiores
Outro dado que impressiona é a discrepância no volume de postos de trabalho entre homens e mulheres. Em junho, quando o saldo geral do Caged ainda era negativo, o estoque de empregos formais ocupados por elas estavam 4,7% abaixo do nível de fevereiro (pré-Covid), enquanto para homens era 3,7% inferior. A partir de julho, o mercado como um todo começou a reagir e, em três meses, foram criadas 697,3 mil vagas, mas 77% foram para homens. A recuperação deles, na verdade, começou um mês antes das mulheres, já em junho. Com isso, o acúmulo de emprego feminino em setembro avançou apenas 1,1% em relação a junho, enquanto a recuperação masculina foi de 2,4%. Em 12 meses, a queda do estoque de empregos é de 3,7% para as mulheres e 1,3% para os homens.

“A desigualdade de salários e de posições ocupadas por mulheres, o valor médio da hora trabalhada e o rendimento médio discrepante entre homens e mulheres nos coloca em situação de vergonha entre os países das américas e o desemprego, também, impacta fortemente as mulheres, como se observa. Mulheres estudam mais e ganham menos”, criticou Rosa Neide.

A parlamentar defendeu a ampliação de medidas afirmativas de valorização da mulher. “Reforça a necessidade de continuarmos no aperfeiçoamento dos direitos para mulheres, destacando a relevância das mulheres no mercado com maior proteção e enfrentamento de desigualdades”, frisou.

Na mesma linha, a deputada Marília Arraes (PT-PE) cobrou do Congresso Nacional mais políticas de geração de emprego para as mulheres. “Mais do que nunca, as políticas de retomada econômica do País e de geração de emprego e renda devem levar em conta a vida das mulheres e de suas famílias. O Congresso Nacional precisa ter isso em perspectiva”.

Desigualdade de gênero
Para a deputada pernambucana, o impacto da pandemia na vida das mulheres aprofunda as desigualdades de gênero no País e o machismo estrutural ao qual o Brasil está submetido. E denunciou que é mais um tipo de violência institucional. “O mercado de trabalho pune as mulheres apenas pelo fato de serem mulheres. Elas são vítimas de violência doméstica e vítimas de um tipo de violência que a ausência de políticas públicas impõe às suas vidas”, disse Marília Arraes.

“As desigualdades de gênero ficam totalmente visíveis quando as mulheres são sempre as mais atingidas nas crises. Pois, apesar de ocuparmos a maioria das chefias de família no Brasil, ainda estamos concentradas nas vagas de pior qualidade e de elevada informalidade no mundo de trabalho”, afirmou a deputada Maria do Rosário (PT-RS). A parlamentar apontou ainda que os dados mostram uma “submissão econômica e social”. “Na pandemia perdemos estes postos para os homens num mercado já desaquecido, em que das 900 mil vagas somente 697,3 mil estão sendo retomadas. E destas, 77% ficam com os homens, reforçando a relação de gênero e classe/pobreza e não raro o racismo como fator de submissão econômica e social”.

Governo inimigo das mulheres
A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) classificou o governo Bolsonaro como o principal inimigo das mulheres e trabalhadoras. “Desde o golpe contra Dilma, e sobretudo a partir do governo do neofascista Bolsonaro, as mulheres, em especial as mulheres negras, são as vítimas principais desse governo inimigo da classe trabalhadora. Mas as mulheres se integram cada vez mais na luta por seus direitos e por democracia, seguindo o exemplo das mulheres negras norte-americanas que deram a maior contribuição para a derrota do fascista Trump nos Estados Unidos”.

Para a deputada Natália Bonavides (PT-RN), a pandemia acentuou os problemas estruturais do País, entre eles a desigualdade e a discriminação produzidas pelo machismo. “A situação da mulher no mercado de trabalho já era um problema: apesar de serem mais qualificadas, são maioria nos empregos menos valorizados e nos informais, ganham menos exercendo as mesmas tarefas que os homens, e são as primeiras a serem demitidas numa situação de crise”, criticou.

Natália também afirmou que o presidente Jair Bolsonaro legítima essa desigualdade. “E para piorar, essa desigualdade é legitimada por Bolsonaro, que já disse que mulher deve ganhar menos porque engravida. A sobrecarga com tarefas domésticas é um dos fatores que contribuem para esse contexto”. Ela destacou ainda que a sobrecarga com as tarefas domésticas precisa ser enfrentada com políticas públicas que socializem essas tarefas, e também em sua raiz, com educação em gênero nas escolas.


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