Intercept: Moro blindou FHC, chamado pelo ex-juiz de “parceiro importante”

Em conversa privada, o ex-juiz e o procurador Deltan Dallagnol articulam esquema para “enviar recado de imparcialidade” da Lava Jato sem ter de investigar tucano

Por: Agência PT com intercept
Publicação: 19/06/2019
Imagem de Intercept: Moro blindou FHC, chamado pelo ex-juiz de “parceiro importante”

O site The Intercept Brasil divulgou na noite de terça-feira (18)  mais um trecho do chat privado entre Sergio Moro e agentes do Ministério Público Federal para definir de maneira criminosa os rumos políticos do país. Na nova conversa revelada pela série de reportagens, o ex-juiz discorda do procurador Deltan Dallagnol  pede para que a Operação Lava Jato evite investigar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para não “melindrar alguém cujo apoio é importante”.

O diálogo, ocorrido por meio do aplicativo Telegram, ocorreu em 13 de abril de 2017, um dia depois de o Jornal Nacional ter veiculado notícia justamente sobre denúncias que recaíam sobre o tucano. Na data, Moro queria saber se as suspeitas contra o ex-presidente eram “sérias” porque o que viu na TV “pareceu fraco”. O procurador, então, argumentou que a denúncia havia sido enviada a São Paulo para “talvez passar recado de imparcialidade”.

A acusação que Dallagnol já era de conhecimento interno do Ministério Público desde o final de 2016, graças à delação de Emílio Odebrecht, que afirmou que deu “ajuda de campanha” a FHC para as eleições vitoriosas de 1994 e 1998.  Ao contrário do que fazia quando havia acusações contra petistas,   o caso envolvendo o tucano permaneceu em segredo de justiça até abril de 2017, mas os fatos estavam prescritos e a investigação não poderia terminar denúncia formal. Resultado: foi arquivada pela Justiça três meses depois.

Como tem ocorrido desde a primeira denúncia publicada pelo site, tanto Moro quanto a força-tarefa da operação insistem em dizer ao povo o oposto do que conversavam longe dos holofotes. Muito longe da imparcialidade, parte do Judiciário brasileiro foi usado para proteger “parceiros” e criminalizar adversários.

Como ficou claro em outros trechos de conversas privadas entre Moro e procuradores, o principal alvo da operação sempre foi Luiz Inácio Lula da Silva, condenado sem provas e mantido como preso político em Curitiba.

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