Folha tenta confundir leitor, mas CUT reafirma: "não negociamos reformas com Temer"

Vagner Freitas, presidente da Central, reage com indignação e desmente reportagem do jornal

Por: CUT
Publicação: 27/03/2017
Imagem de Folha tenta confundir leitor, mas CUT reafirma:

Marlene Bérgamo / Folhapress

O jornal Folha de S. Paulo afirmou, em sua principal manchete de capa de sábado (25): “Por mais verba, centrais podem apoiar Temer em reformas”. O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas, reagiu com indignação e afirmou nas redes sociais que o jornal “induz o leitor a erro”. Ele assegurou, enfaticamente: – “A CUT não está negociando com o governo ilegítimo e golpista de Temer a volta de qualquer tipo de imposto em troca do fim da aposentadoria e da CLT”.

O truque da matéria da Folha é que faz parecer ao leitor que ela trata de todas as centrais sindicais. Mas isso é falso. Na verdade, a matéria é um exemplo de “jornalismo-panfleto”. Apesar de ser assinada por dois repórteres, um de São Paulo e outro de Brasília, ela identifica uma única fonte: o secretário geral da Força Sindical.

Com base exclusivamente nesse sindicalista, o jornal afirma: “Centrais sindicais ofereceram ao presidente Michel Temer a abertura de negociações para apoiar as reformas da Previdência e trabalhista em troca de ajuda do governo para retomar a cobrança da contribuição assistencial —taxa paga por trabalhadores para financiar a atividade dos sindicatos”.

Para afirmar essa distorção, o jornal finge não existir a CUT, a maior de todas as centrais. Por isso a resposta de Vagner Freitas: “A CUT não negocia direitos conquistados com muita mobilização, luta, enfrentamentos com a polícia política dos governantes antidemocráticos por nenhuma negociata feita em gabinetes”.

Além disso, o jornal, negando regras básicas de jornalismo, afirma: “A Força diz ter o apoio da União Geral dos Trabalhadores (UGT), da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) e da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) para as negociações. As quatro entidades representam 37% dos trabalhadores do país”.

Há dois problemas graves nesse trecho: o primeiro é que a Folha diz que UGT, NCST e CSB apoiam a negociata com Temer, mas não ouviu nenhum representante dessas centrais! O jornal não ouviu o "outro lado" e ignorou até o resto do "mesmo lado".  O segundo problema é que a matéria afirma que a Força Sindical mais as outras três centrais representariam apenas um terço dos sindicatos. Como então pode fazer uma manchete como se um dirigente da Força estivesse falando em nome de todas as centrais? A própria matéria prova que isso é uma grande distorção.

Para terminar, uma confusão grave na divulgação da matéria na internet: a Folha juntou ao texto do jornal impresso uma foto dos protestos de 15/3 em que o grande destaque são as bandeiras da CUT. É óbvio que quem só lê a manchete e vê a foto pensa que a CUT está fazendo acertos espúrios com Temer. Após protestos dos leitores contra essa deturpação, o jornal trocou a foto por uma em que se destacam jalecos e bandeiras da Força Sindical.


Nota de Vagner Freitas, presidente da CUT, nas redes sociais

Leia a seguir a íntegra da resposta de Vagner Freitas à matéria da Folha.

A CUT não está negociando com o governo ilegítimo e golpista de Temer a volta de qualquer tipo de imposto em troca do fim da aposentadoria e da CLT.
A Folha de S Paulo deste sábado induz o leitor a erro.
Ao afirmar na manchete que "Por volta de contribuição, centrais oferecem oposição menor a reforma", o jornal inclui todas as centrais brasileiras em uma suposta negociação contrária aos interesses da classe trabalhadora.
A leitura da matéria prova a distorção do jornal que, sempre que possível, busca desqualificar a luta da CUT em defesa dos direitos da classe trabalhadora.
A CUT não negocia direitos conquistados com muita mobilização, luta, enfrentamentos com a polícia política dos governantes antidemocráticos por nenhuma negociata feita em gabinetes.
A luta da CUT é em defesa da classe trabalhadora. Colocamos um milhão de pessoas nas ruas contra os desmontes de Temer no último dia 15 e no próximo dia 31 vamos parar o Brasil contra a terceirização, contra o fim da aposentadoria e da CLT
”.


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