Assembleias dos trabalhadores - Fotos: Sindicatos
Depois de seis longas e tensas rodadas de negociação com as empresas aéreas, a Campanha Salarial dos Aeroviários e Aeronautas da base da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil da CUT (FENTAC) chega ao fim com um sentimento de vitória.
Diante de uma conjuntura econômica e política adversa no país, que influenciou nas negociações com as empresas que tencionaram os trabalhadores com propostas de reajuste abaixo da inflação, retirada e piora nos direitos já conquistados, os aeroviários e aeronautas aprovaram nas assembleias realizadas nesta quinta-feira, (1º), a proposta econômica negociada com o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) que garante a reposição integral da inflação da data-base, 1º de dezembro, nos salários, pisos, nas diárias nacionais e nos benefícios econômicos, como nos vales-refeição e alimentação.
Para os aeroviários que recebem acima do teto salarial de R$ 10 mil será incorporado um valor fixo, baseado no índice do INPC da data-base, que segundo estimativa do Banco Central que será publicado no dia 9 de dezembro, fechará em torno de 7,75%.
As categorias também aprovaram a renovação e a manutenção de todas as cláusulas sociais conquistadas ao longo dos anos nas Convenções Coletivas de Trabalho. “As empresas pegaram a carona da crise e a todo momento queriam jogar pra baixo a reposição da inflação e isso não aceitamos. Repor a inflação dos 12 meses trabalhados é o mínimo que as empresas deveriam fazer”, explica o aeronauta, Sergio Dias, presidente da FENTAC.
Levantamento preliminar da Subseção do Dieese na FENTAC revela um cenário de dificuldades para as negociações de reajustes salariais em 2016. Segundo o painel de acompanhamento do SAS-DIEESE, 36,8% das categorias analisadas não conquistaram a reposição integral da inflação medida pelo INPC-IBGE, apenas 24,5% obtiveram ganhos reais e 38,7% igualaram o INPC, ou seja, não apresentaram perdas.
Mobilização foi fundamental
Sergio conta que a mobilização dos aeroviários e aeronautas nos aeroportos, que decretaram estado de greve, foi fundamental para frear a tentativa de retirada de direitos históricos e consagrados das Convenções Coletivas de Trabalho. “Na última rodada, ficamos seis horas negociando com as empresas que queriam retroceder nas nossas conquistas. Após muito diálogo e pressão, elas recuaram. Não conquistamos o que queríamos, mas saímos com o sentimento de vitória”, destaca Dias.
Pagamento no mês da data-base
Os aeroviários e aeronautas também ficaram satisfeitos que, pelo menos neste ano, o pagamento dos reajustes acontecerá no mês da data-base, 1º de dezembro.
“Faz muitos anos, que a nossa Campanha não encerrava em dezembro. A Campanha de 2015 terminou em fevereiro deste ano e isso só ocorreu depois da nossa paralisação nacional nos aeroportos. Ainda tivemos mediação do Tribunal Superior do Trabalho. Os trabalhadores tiveram perdas salariais expressivas. Esperamos na próxima Campanha 2017/2018 avançar nas melhorias sociais e econômicas dos trabalhadores da aviação civil regular”, concluiu.
Assinatura das CCTs
A FENTAC e os sindicatos filiados dos aeroviários de Guarulhos,
Recife, Porto Alegre e os de base Nacional dos Aeroviários e
Aeronautas vão assinar a renovação das Convenções Coletivas de
Trabalho 2016/2017 nos próximos dias com o SNEA.
Os reajustes nos salários, pisos e em todos os benefícios serão pagos no final deste mês e beneficiarão cerca de 70 mil profissionais da aviação civil regular.
Opinião das lideranças dos aeroviários e aeronautas da base
da FENTAC/CUT
“A impressão dessa Campanha foi extremamente vitoriosa. Tudo saiu dentro daquilo que planejamos. Não admitimos a perda salarial, mesmo diante de um cenário econômico difícil, e ainda conquistamos com, muito esforço, a manutenção das cláusulas sociais. O mote da nossa Campanha impactou muito o usuário sobre a importância da segurança de voo. Realizamos boas atividades, assembleias e o resultado foi vitorioso para todos”, Celso Klafke, diretor da FENTAC e do Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre.
“A negociação, apesar de difícil, chegou a um bom termo.
Conseguimos a reposição salarial econômica integral e a manutenção
das nossas cláusulas, em um cenário adverso do país, com ameaças
aos direitos trabalhistas dos aeronautas. Entendemos que foi uma
vitória por atingir esse acordo na nossa data-base. Para nós, foi
extremamente satisfatório”, comandante Rodrigo Spader,
presidente do Sindicato Nacional dos
Aeronautas.
“O ano de 2016 foi difícil para o emprego, com alta de
fechamento dos postos de trabalho e a greve não seria a melhor
solução. Categorias importantes realizaram paralisações extensas e
só conquistaram a inflação. A preservação de nossos direitos, que
são conquistas históricas, também foi outro ponto positivo”,
Rodrigo Maciel, presidente do Sindicato dos Aeroviários de
Guarulhos.
“Não tivemos uma vitória redundante nesse momento, mas também não tivemos perdas de vitórias históricas nossas. Lembrando que o governo golpista quer fazer uma reforma trabalhista, a pedido dos empresários, que é um retrocesso para os direitos. Mantivemos o INPC , mas, acima de tudo, todas as cláusulas sociais históricas para os trabalhadores da aviação civil brasileira”,Selma Balbino, diretora da FENTAC e do Sindicato Nacional dos Aeroviários.
“Foram negociações muito difíceis, mas a unidade dos trabalhadores foi essencial para conquistarmos a inflação do período e manter nossos direitos consagrados”, Erivaldo Dutra, o Barriga, presidente do Sindicato dos Aeroviários de Recife.
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