Os paulistanos enfrentaram momentos de caos na tarde de quarta-feira (14), quando um forte temporal provocou o alagamento do Túnel do Anhangabaú, no centro de São Paulo. Veículos ficaram submersos, motoristas precisaram subir nos tetos dos carros para escapar da água e pelo menos quatro pessoas foram resgatadas pelo Corpo de Bombeiros.
Essa situação alarmante está relacionada ao sucateamento da
Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e à falta de agentes de
trânsito na capital paulista, fatores que comprometem a prevenção
de acidentes e colocam em risco a segurança da população. Essa é a
avaliação do Sindviários (Sindicato dos Trabalhadores no Sistema de
Operação, Sinalização, Fiscalização, Manutenção e Planejamento
Viário e Urbano do Estado de São Paulo).
Dados do Sindviários apontam que São Paulo conta com apenas 1.500
agentes de trânsito, número insuficiente para atender às demandas
da capital paulista.
Segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), a recomendação é de um agente para cada mil veículos. A cidade possui uma frota superior a 12 milhões de veículos.
Em nota, a entidade sindical cita portaria do prefeito Ricardo
Nunes (MDB) que estabelece a responsabilidade da CET pelo bloqueio
preventivo de vias sujeitas a enchentes e alagamentos, além da
sinalização e indicação de rotas alternativas. No entanto, o
Sindicato denuncia que a Prefeitura não garante efetivo, viaturas e
equipamentos suficientes para o cumprimento dessas medidas.

“É muito fácil apontar o dedo para os agentes de trânsito depois que acontece uma situação como essa. Parte da imprensa já começou a responsabilizar os trabalhadores, mas esquece de perguntar quem é responsável pela falta de efetivo, pela falta de equipamentos e pela verba necessária para manter a CET funcionando”, afirma Michel Costa, presidente do Sindviários e diretor de negociações coletivas e jurídico da CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística).
Orçamento e providências
Na manhã do mesmo dia do alagamento, o presidente da CET, Milton Roberto Persoli, participou de uma audiência pública na Câmara Municipal para discutir o orçamento de 2027. Para o Sindicato, a Companhia também deve responder pela falta de investimentos e apresentar soluções concretas para os problemas estruturais.
“A Prefeitura não pode exigir que os trabalhadores façam prevenção sem garantir estrutura para isso. A própria administração determina que a CET realize bloqueios preventivos, mas não assegura as condições necessárias para cumprir essa obrigação. Estamos falando de vidas. A falta de investimento tem consequências para os trabalhadores e para toda a população”, ressalta Costa.
O presidente do Sindviários defende que o alagamento seja investigado, considerando os protocolos adotados, a quantidade de profissionais disponíveis e as condições operacionais da CET.
A entidade sindical também cobra a recomposição urgente do efetivo, a convocação dos aprovados no concurso público, investimentos em equipamentos e viaturas, além da responsabilização da direção da Companhia e da Prefeitura pelas condições oferecidas aos trabalhadores.
Secretário Nacional de Comunicação da CNTTL: José Carlos da Fonseca - Gibran
Redação CNTTL
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