O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) e do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba, Paulo João Estausia, o Paulinho do Transporte, concedeu nesta segunda-feira (28) entrevista à central sindical da Bélgica (Algemene Centrale- FGTB ). Conduzida por Alexandre Diodoro Govaerts, diretor do departamento internacional da entidade, a entrevista fará parte de um livro que distribuído aos delegados internacionais durante o próximo Congresso da FGTB, na Europa.

Durante a conversa, Paulinho falou sobre sua trajetória no movimento sindical, iniciada sob forte influência de seu pai, que também foi sindicalista e atuou durante o período da ditadura militar brasileira.
O dirigente relatou que cresceu acompanhando de perto histórias de perseguição política e, mais tarde, ao ingressar no mercado de trabalho, passou a se indignar com as desigualdades sociais e a exploração dos trabalhadores. Foi no sindicalismo que encontrou um instrumento de organização e luta coletiva.
“Quero deixar claro aqui que eu sou antifascista declarado, antifascista ferrenho, daqueles que luta dia e noite contra o fascismo”, afirmou Paulinho.
DITADURA, DEMOCRACIA E A LUTA ANTIFASCISTA NO BRASIL
Ao abordar o cenário político brasileiro, Paulinho relembrou o período da ditadura militar, a redemocratização do país e os acontecimentos que culminaram no impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2016.
Na avaliação do dirigente, o impeachment representou um “golpe maquiado de legalizado”. Paulinho também recordou do Acampamento da CNTTL em Defesa da Democracia e contra o Golpe, que aconteceu em 8 de abril de 2016, na capital federal, que conseguiu desarticular um grupo de bolsonaristas que defendia a luta armada e a volta da ditatura militar.
O presidente da CNTTL relacionou esse período ao fortalecimento de movimentos de extrema direita no Brasil, que usam os conceitos de família e religião para enganar os trabalhadores com e afirmou que, nos anos seguintes, o movimento sindical passou a intensificar o debate e a organização antifascista.
Para Paulinho, a formação sindical e o diálogo direto com os trabalhadores são instrumentos fundamentais para enfrentar a desinformação, as fake news, o autoritarismo e os ataques à organização coletiva. Ele destacou ainda a importância de preparar novas gerações de dirigentes e trabalhadores para a atuação sindical e para a defesa dos direitos humanos.
O dirigente também ressaltou que o avanço de movimentos de extrema direita não é um fenômeno restrito ao Brasil e defendeu maior articulação entre os movimentos sindicais da América Latina e de outros países.
MICROFONE COMO SÍMBOLO DA LUTA COLETIVA
Ao ser perguntado sobre qual objeto simbolizaria sua identificação com a luta antifascista e coletiva, Paulinho escolheu o microfone. O dirigente destacou que a luta sindical não se limita às reivindicações trabalhistas, mas também envolve a defesa de uma sociedade mais justa, fraterna e humana, baseada no diálogo e no respeito aos direitos humanos.
Ao final da entrevista, o presidente da CNTTL convidou o
diretor da Algemene Centrale- FGTB, .Alexandre Govaerts,
quando vir ao Brasil conhecer a sede dos Rodoviários de Sorocaba e
da CNTTL, em Brasília.
Foto que fará parte da entrevista no livro da central
sindical belga

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