Representantes da CUT e das demais centrais
sindicais vão se reunir com técnicos do Ministério da Fazenda nesta
quinta-feira, dia 7 de novembro, para discutir o aperfeiçoamento do
sistema nacional de proteção ao emprego e preservação do FAT.
Esse foi o resultado da reunião com o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, na segunda-feira, 4, em São Paulo. A reunião havia sido
convocada para discutir alteração nos critérios de pagamento de
Seguro-Desemprego e Abono Salarial. Mantega alegou que era preciso
identificar se o aumento na concessão dos benefícios é provocada
pela rotatividade alta ou fraudes cometidas por empresários.
O presidente da CUT, Vagner Freitas, abriu a reunião argumentando
que o momento econômico que o País vive é o ideal para discutir
direitos dos trabalhadores e não despesas com políticas de amparo
ao trabalhador desempregado. Se há fraudes, que sejam combatidas,
disse Vagner. Quanto aos gastos com esses benefícios - R$ 47
bilhões de reais, só este ano -, o dirigente disse que os maiores
problemas do FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador, são as
desonerações da Folha e a Desvinculação das Receitas da União
(DRU), que desviam recursos do FAT e não as despesas com a proteção
social. Além disso, o presidente da CUT lembrou que a economia
brasileira vive um momento diferenciado que permite as autoridades
e aos representantes dos trabalhadores negociarem a manutenção e a
ampliação de direitos, não o contrário. "No momento em que o Brasil
mais está gerando empregos, temos de criar um bom sistema de
proteção ao emprego. Temos de nos preocupar com a preservação dos
postos de trabalho e a qualificação dos empregos e não discutir
despesas com o seguro e o abono", pontuou Vagner.
Essa argumentação, apoiada pelos representantes das demais centrais
presentes à reunião, convenceu o ministro a debater propostas que
garantam a melhoria de um sistema de proteção aos trabalhadores e
foi comemorada pelos sindicalistas.
"O importante é que, ao invés de sermos informados sobre mudanças
que a Fazenda faria nas regras do Seguro-Desemprego e no Abono
Salarial, vamos fazer propostas, sugerir medidas importantes para o
fortalecimento do SINE, ratificação da convenção 158 da OIT e
mecanismos que inibam demissão imotivada, além de acabar com a
precarização provocada, especialmente, pela terceirização que o
Projeto de Lei 4330 quer legalizar", ressaltou Vagner.
Pauta com Ministro
Na pauta da primeira reunião técnica entre representantes do
Ministério da Fazenda, da CUT e demais centrais sindicais para
negociar essas propostas, itens como:
- alternativas para combater a alta rotatividade;
- políticas de proteção ao salário mínimo,
- ratificação da Convenção 158, da OIT, sobre dispensa sem justa
causa;
- proteção ao FAT - reposição dos recursos do fundo que pertencem
aos trabalhadores, mas foram desviados pelo governo via
desonerações e DRU.
Sobre esse útilimo item, o secretário de Administração e Finanças
da CUT, Quintino Severo, que também preside o CODEFAT - Conselho
Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador, afirmou que, apesar
dos recursos do FAT serem, por Lei, destinados a financiar as
políticas ativas e passivas de emprego que protegem os
trabalhadores e contribuem para o desenvolvimento do país, nos
últimos anos, preocupa bastante os representantes dos trabalhadores
o que eles chamam de “frustração de receitas”.
Ele explicou que, os recursos do PIS/PASEP são vinculados
constitucionalmente ao financiamento da rede de proteção ao
emprego, sendo esta a sua principal fonte. Entretanto, dois
mecanismos importantes têm desviado a arrecadação do PIS/PASEP da
sua função constitucional. O primeiro é a Desvinculação dos
Recursos da União (DRU), que vigora desde 1995. O segundo é a
renúncia fiscal.
Só nos últimos quatro anos,o FAT perdeu cerca de R$ 64,9 bilhões
com a renúncia fiscal e a desvinculação das receitas da União
(DRU). Em contrapartida, o Tesouro Nacional cobriu apenas 10,9% da
perda de recursos, o que contribuiu para a situação atual de
questionamento sobre a saúde financeira.
“Entendemos que a origem do desequilíbrio financeiro do FAT está na
frustração de receitas do PIS/PASEP e não nas despesas, como alegam
alguns técnicos da Fazenda”, disse Quintino.
Segundo o dirigente, só para este ano, as receitas do Fundo vão
perder cerca de R$ 10,4 bilhões com a DRU e cerca de R$ 9 com
renúncia fiscal prevista para o PIS/PASEP. E os números de 2014
previstos na LOA não são melhores, R$ 11,6 bilhões de renúncia do
PIS/PASEP e R$ 11 bilhões de perda com a DRU.
Com
informações da CUT Nacional
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