Dilma: “Sei que causo um grande incômodo aos golpistas, mas não vou parar de lutar”

A presidenta participou do ato "Mulheres Pela Democracia", no Rio de Janeiro

Por: Redação CNTTL com Brasil 247
Publicação: 03/06/2016
Imagem de Dilma: “Sei que causo um grande incômodo aos golpistas, mas não vou parar de lutar”

Montagem Brasil/247 divulgação

A presidenta Dilma Rousseff participou na quinta-feira (2), do ato "Mulheres Pela Democracia", que reuniu mais de 20 mil pessoas, no Largo da Carioca, no centro do Rio de Janeiro. Ela fez um longo discurso no qual defendeu o protagonismo feminino e também voltou a atacar o governo interino de Michel Temer.

"Eu sei que sou um grande incômodo, porque eles olhavam e diziam o seguinte: como eu sou mulher, eles acham que a mulher é frágil. Se a gente fosse frágil a gente não criava filho. Se a gente fosse frágil, a gente não tinha segurava trabalhar e cuidar das crianças. Se a gente fosse frágil, mesmo com preconceito, não conseguiríamos um trabalho decente, não conseguiríamos nos formar nas faculdades. Se a gente fosse tão frágil, eu não seria a primeira mulher presidenta", disse. 

Dilma falou também da pressão dos golpistas para que ela renunciasse. “Eles queriam que eu renunciasse, para tirar o incômodo que é a minha presença, eu não cometi nenhum crime de corrupção, eu não desviei dinheiro público, não tenho conta na Suíça. Então era melhor eu renunciar. Porque não teria o constrangimento de condenar uma pessoa inocente. Mas nós, mulheres, temos uma imensa capacidade de resistir. Todas as mulheres anônimas deste país resistem no dia a dia, de cabeça erguida tocam o bonde", completa.

A presidenta também sobre as constantes lutas que enfrentou. "A minha vida inteira eu lutei. Eu lutei contra ditadura neste país. Eu sei o que é dor, eu fui torturada. Eu sei o que é a imensa tragédia da dor física. Eu sei o que é lutar contra a doença. Agora eu tenho a honra de lutar pela democracia neste momento " complementa.

Dilma também falou da importância do respeito às mulheres, as diferenças e a resistência na luta contra o golpe . "Este país precisa valorizar a diferença. É a diferença a nossa maior riqueza cultural e humana. Este ato hoje, aqui no Rio, coloca nas mãos das mulheres o processo político de apoio à democracia, contra o retrocesso, contra a política neoliberal, contra a revisão do pré-sal. Nós podemos sair com a alma lavada, porque fizemos um exercício de cidadania e democracia. Aqui estamos nós mulheres empenhadas na luta pela defesa não só da democracia, mas também dos direitos sociais e políticos e de um país mais livre e que respeite as mulheres. Temos que estar juntas para resistir este golpe", afirmou. "Nós vamos resistir, resistir e resistir", avisa.


Redação CNTTL

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