CNTTL lamenta morte trágica de maquinista da Ferrovia Centro-Atlântica

Em nota, o Sindiferro atribui o acidente às péssimas condições das ferrovias nos estados da Bahia e Sergipe

Por: Viviane Barbosa, da Redação CNTTL, com Sindiferro
Publicação: 15/02/2016
Imagem de CNTTL lamenta morte trágica de maquinista da Ferrovia Centro-Atlântica

Maquinista George Fagner que faleceu no acidente - foto: Sindicato

A CNTTL/CUT tomou conhecimento desse trágico acidente, ocorrido no último final de semana no sudoeste baiano, que vitimou o companheiro maquinista, George Fagner, de apenas 28 anos. Em nota, o Sindiferro denuncia  que, ao longo de 19 anos de desestatização da malha Centro-Leste, a maior da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA), o processo de privatização não deu certo, e pior: reduziu em milhares de quilômetros a ferrovia, deixando para trás um patrimônio público federal bilionário às traças, um verdadeiro abandono, um crime de lesa-pátria. A CNTTL se soma à luta do Sindicato e lamenta a morte desse trabalhador.

 

É lamentável a tragédia ocorrida com o maquinista George Fagner (foto) no último sábado (13), quando três locomotivas tombaram e pegaram fogo, vitimando o trabalhador de apenas 28 anos.

No momento do acidente (que aconteceu no Km 773 – trecho ferroviário, entre os municípios de Licínio de Almeida e Urandi, Sudoeste da Bahia), a empresa Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) praticava a monocondução, isto é, um maquinista na operação, quando deveriam ser dois.

Nos últimos anos, o Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários e Metroviários da Bahia e Sergipe(Sindiferro) tem denunciado, de forma incessante, à empresa FCA/VLI/VALE e órgãos federais, sobre as péssimas condições, em que se encontram a ferrovia nos estados da Bahia e Sergipe. Há mais de 10 anos que a ferrovia sergipana deixou de operar.

Apenas em 2015, três descarrilamentos aconteceram na Bahia, em trechos operados pela FCA/VLI/VALE.
Faltam investimentos em manutenção, onde se necessita, urgentemente, da substituição dos trilhos e dormentes, que estão podres e com vida útil ultrapassada. Necessita-se também de limpeza e regularização de valetas, bueiros e encostas.

 Resolução 4.131/13 da ANTT

Se no início da concessão de 30 anos, lá em 1996, os investimentos já não eram dos melhores, com a chegada da Resolução nº 4.131/13 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a situação piorou ainda mais.
Em pleno vigor, desde julho de 2013, a portaria da ANTT determina a devolução dos trechos ferroviários nos estados da Bahia e Sergipe pela FCA/VLI/VALE – Ferrovia Centro-Atlântica S/A.

Protegida por este documento, a empresa, além de “esquecer” da manutenção dos trechos ferroviários, está promovendo uma grande varredura no seu quadro de funcionários. Desde 05 de agosto de 2014, até o presente momento, 65 trabalhadores foram demitidos.

Está comprovado que a gestão empresarial não tem mais interesse em operar a ferrovia nos estados da Bahia e Sergipe.

Ao longo de 19 anos de desestatização da malha Centro-Leste, a maior da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA), o Sindiferro e a Federação dos Trabalhadores Ferroviários da CUT, vêm denunciando que o processo de privatização da ferrovia, definitivamente, não deu certo.

Pelo contrário, reduziu em milhares de quilômetros a ferrovia, deixando para trás um patrimônio público federal bilionário às traças, um verdadeiro abandono, um crime de lesa-pátria.

Nesse momento de dor, toda a categoria metroferroviária está ao lado dos familiares do companheiro George Ferreira.
A Entidade Sindical continuará sua luta incansável para defender melhores condições de trabalho e alertar ao Governo Federal, através do Ministério dos Transportes e, em especial, à ANTT, que tenham a responsabilidade de efetuar a fiscalização dos contratos de concessão e arrendamento assinados pela empresa e a União, exigindo rigor no cumprimento das cláusulas.

Já passou do momento de pedir a caducidade dos contratos, e, a malha ferroviária voltar para o controle do Estado Brasileiro.

Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários e Metroviários da Bahia e Sergipe(Sindiferro)

Transportando CNTTL-CUT
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