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O
presidente da Câmara, Eduardo Cunha, anunciou no sábado (25) que
pretende permanecer no cargo mesmo que venha a ser objeto de
denúncia do Procurador Geral da República Rodrigo Janot ao
STF: “Não cogito qualquer afastamento”. Apesar de sua disposição
para resistir, a história recente de presidentes encalacrados das
duas casas legislativas ensina que, quando o desgaste aumenta, o
acusado acaba sendo ejetado da cadeira pela pressão de seus
pares.
Por Tereza Cruvinel
A
denúncia de Janot é
esperada até pelo próprio Cunha para o mês de agosto. Aliás, ele
chegou a temer que fosse apresentada durante o recesso. Fontes do
Ministério Público têm dito a parlamentares que ela será forte e
consistente. Tendo adotado a estratégia de salvar-se espalhando o
fogo, Cunha deve criar todo tipo de dificuldade para o governo logo
que os trabalhos da Câmara forem reabertos, em agosto.
Para se manter no cargo, entretanto, não bastará a coragem e a
determinação, virtudes que não lhe faltam. Será preciso também
“combinar com os russos”, o conjunto de partidos e de deputados.
Estarão eles dispostos a enfrentar um eventual clamor externo pelo
afastamento de Cunha? Vejamos os exemplos mais recentes de
presidentes ejetados, que são os de Antônio Carlos Magalhães
e Jader Barbalho,
no Senado, e o de Severino Cavalcanti,
na Câmara.
ACM, rei da Bahia desde o regime militar, manteve-se poderoso e
intocável na era FHC. Presidiu o Senado no biênio 1997-1999 e foi
reeleito para o período 1999-2001. Desgastou-se numa querela
com Jáder Barbalho,
que o sucedeu no cargo, e logo depois se envolveu no rumoroso
escândalo da violação do painel eletrônico do Senado. Acabara de
deixar a presidência mas sua influência virou pó, e quando viu que
seria cassado, renunciou para não se tornar inelegível.
Jáder, por sua vez, mesmo depois de assumir a presidência do
Senado derrotando o candidato de ACM, continuou sendo alvo de
frequentes denúncias de corrupção pela mídia. Embora seu PMDB fosse
majoritário no Senado, para contornar a pressão da casa pediu
licença do cargo por 60 dias. Mas quando a pressão aumentou,
renunciou à presidência em setembro e ao próprio mandato no início
de outubro.
Severino Cavalcanti era
um deputado do baixo clero quando se elegeu presidente da Câmara em
2005, graças à divisão nas hostes governistas. Em setembro estoura
o escândalo do “mensalinho”, em que o dono de um restaurante
concedido pela Câmara o acusa de cobrar-lhe uma propina de R$ 10
mil mensais para manter a concessão. Severino tenta resistir mas
diante do desgaste da Câmara não resiste à pressão dos deputados,
renuncia ao cargo e depois ao mandato de deputado.
Para ter um destino diferente, Cunha precisará de um apoio
inabalável da maioria dos partidos e de deputados, dispostos a
enfrentar um grande desgaste para mantê-lo no cargo. Por ora, o
PMDB não o acompanhou na decisão de romper com o governo e o único
apoio externo recebido foi do Solidariedade. O PSDB mantém-se
convenientemente distante do furacão que ronda Cunha. Não o apoia,
temendo a contaminação. Não o ataca, temendo a reação do aliado com
quem até há poucos dias conspirava para derrubar
Dilma.
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