divulgação
O Portal CNTTL/CUT divulga a seguir o artigo do especialista em logística e transportes, José Augusto Valente, que fala sobre os investimentos feitos pelos Governo Lula e Dilma que não são reconhecidos pela oposição e pela grande imprensa.
É triste o papel da
imprensa e da oposição em geral toda vez que o governo federal
(Lula/Dilma) anunciam compromissos com planos e projetos. Tem sido
assim com o PPI – Projetos Pilotos de Investimentos, os PAC –
Programa de Aceleração do Crescimento e os PIL – Programa de
Investimentos em Logística.
É triste, porque a oposição, onde governa, não tem a dignidade de
anunciar seus compromissos para o período de mandato, para ser
cobrada pelos governados. Assim, até agora não foi tornado público
o programa de investimentos do governo de São Paulo para a
mobilidade urbana, transporte de massa e abastecimento de água,
entre outros, para o período 2015-2018.
Os governos Lula e Dilma, por sua vez, têm sido republicanos e
implantado diversos instrumentos de accountability,
muito mais modernos do que a bobagem do "choque de gestão".
Não estou dizendo que a oposição deva aplaudir alegremente todos os
anúncios de compromissos de investimentos dos governos Lula e
Dilma. Mas deveria ter o bom-senso de, pelo menos, fundamentar
melhor os paralelepípedos que atiram nas tentativas que são feitas
para resolução de problemas causados pelo governo tucano de
FHC.
Talvez pouca gente saiba, mas Lula assumiu a presidência, em
janeiro de 2003, com uma herança maldita no que tange à logística
de cargas e de passageiros. Todos os modais sucateados!
No modal rodoviário, um terço dos contratos do DNIT estava
paralisado, por não pagamento. Os outros dois terços com atrasos
superiores a três meses. Resultado: rodovias federais esburacadas,
sem sinalização e com nível baixo de serviço de tráfego, justamente
onde havia maiores volumes.
FHC deixou sucatear a Rede Ferroviária Federal – RFFSA para, em
seguida, entregar a malha ferroviária federal a quem se interessou,
com contratos mal feitos que causaram muitos problemas, somente
resolvidos nos governos Lula e Dilma. A ideia não era melhorar a
logística, mas se livrar de um incômodo.
Na área de portos, somente alguns arrendamentos importantes, mas,
no geral, sem dragagem, melhorias nos acessos rodoviários e
ferroviários e com o sucateamento das Cias. Docas.
Aeroportos, então, nem pensar. Ativos à deriva, rumo ao
naufrágio.
O que o governo FHC fez, de fato, foi seguir a orientação do Banco
Mundial: se livrar do máximo de execução possível, concedendo
atabalhoadamente, em uns casos, ou descentralizando tudo que
pudesse para os estados: metrôs e trens, portos e rodovias.
No âmbito da gestão, em 2001, o governo FHC promoveu a
reestruturação do Ministério dos Transporte e, em 2002, iniciou o
processo de liquidação do Geipot, que era o braço de planejamento
do Ministério dos Transportes. Definitivamente, planejamento foi e
ainda é palavra proibida para tucanos e aliados.
Pois bem, Lula pegou essa herança maldita e, em vez de choramingar,
arregaçou as mangas e foi à luta.
Em 2002, o comércio exterior brasileiro estava estagnado (desde
1996) no patamar de US$ 107 bilhões. Em 2011, foi atingido o
patamar de US$ 482 bilhões, com um crescimento de quase cinco vezes
em apenas nove anos.
O PIB, em dólares correntes, passou de US$ 509 bilhões, em 2002,
para US$ 2,6 trilhões em 2011. A economia brasileira ocupava, em
2003, o 15o. lugar no ranking mundial. Em 2011, ocupava o 6o.
lugar. De 2012 até 2014, caiu para o 7o. lugar.
As cargas que geraram esse forte crescimento da economia
brasileira, especialmente do comércio exterior, chegaram aos
portos, em sua quase totalidade, transportadas por caminhões e
trens. O que significa que as exportações e importações fluíram e
tiveram custos logísticos adequados para se tornarem competitivos e
atraentes, ainda que esses custos possam ser menores, no futuro. E,
preferencialmente, que essa redução de custo futura seja apropriada
por produtores e consumidores, e não por intermediários, como
ocorre hoje.
Quando a oposição afirma que esse pacote de concessões tem como
origem a baixa popularidade de Dilma, e não o resultado de um
processo de planejamento racional de médio e longo prazo, como
seria desejável, mostra total desconhecimento do primeiro
planejamento de longo prazo feito pelo governo federal, pós-regime
militar, o Plano Nacional de Logística e Transportes – PNLT, cuja
primeira versão foi concluída em 2007, com horizonte em 2023.
Demonstra não saber que, além dele, foram elaborados os Plano
Nacional de Integração Hidroviária (PNIH) – Plano Nacional de
Logística Portuária (PNLP)%u228– Plano Hidroviário Estratégico
(PHE). Desconhece que o Plano Nacional de Logística Integrada –
PNLI deu prosseguimento ao PNLT, em 2012, absorvendo esses planos,
bem como os PELTs – Planos Estratégicos de Logística e Transportes
de vários estados.
A oposição e a imprensa desconhecem que, desde então, todas as
iniciativas feitas pelo governo federal, incluindo os PAC 1 e 2,
estão respaldadas pelos planos desenvolvidos nos governos Lula e
Dilma, bem como pelos principais estados brasileiros. Por isso a
presença de tantos governadores no lançamento do PIL 2.
Como a oposição explica desconhecer tudo isso? Qual a fundamentação
de dizer que esse PIL 2 não passa de márquetim?
A resposta é simples: como não sabem o que é planejamento
(supondo que não o fazem porque não sabem fazer!), não conseguem
entender como se governa a partir dele. Ou seja, é uma
tremenda falácia achar que Dilma tirou da cartola as medidas
anunciadas.
Outra grande falácia é dizer que a presidenta Dilma é
ideologicamente contra concessões e arrendamentos. Ora, isso não se
sustenta em fato algum.
Ao contrário, é bom lembrar que a segunda fase das concessões
rodoviárias, cujos modelos herdados do governo FHC eram
inadequados, foi tocada pelo presidente Lula e pela então
ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Houve, de fato, demora
no trâmite dessas concessões, mas não deveu-se a problema
ideológico algum e sim ao fato de que o TCU levou de maio/2005 a
novembro/2006 para liberar o processo para licitação.
O leilão de licitação teve sucesso absoluto, com os valores dos
pedágios bem abaixo dos valores estimados e muito mais baixos do
que os pedágios das rodovias paulistas, que usam o modelo tucano de
concessão onerosa. Isso, sabemos, os tucanos não conseguem
digerir.
Quanto à crítica de que os investimentos anunciados são
insuficientes para as necessidades do país, ela mostra que a
oposição e a imprensa não prestaram atenção na fala do ministro
Nelson Barbosa, quando apresentou os projetos de concessão, que já
foram estudados e que o governo considera prioritários. Entretanto,
essa lista não é definitiva. Todo empreendedor – público ou privado
– pode se dirigir ao governo federal e manifestar interesse em
estudar projeto de aeroporto, rodovia, ferrovia e porto para futura
concessão. Toda manifestação de interesse será analisada pelo
governo e, não havendo problemas, o projeto será incluído no rol de
futuras concessões e arrendamentos. O licitante vencedor, caso não
seja o realizador do estudo, pagará o valor do projeto feito por
este.
Se tivessem prestado atenção na fala do ministro, ficariam sabendo
que os investimentos, na verdade, podem ser muito maiores do que o
anunciado.
Mas, convenhamos, essa notícia politicamente não
interessa...
Artigo publicado originalmente na Carta Maior
.
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