Também fica instituído o Comitê Interministerial de Monitoramento e Implementação das Ações para Trabalhadores por Aplicativos. Foto: Marcelo Casal Jr\Agencia Brasil
Após diálogo com trabalhadores por meio do Grupo
Técnico de Trabalho (GTT) Interministerial dos Entregadores por
Aplicativos, o Governo do Brasil anunciou na terça-feira (24) um
conjunto de medidas para melhorar o dia a dia de entregadores e
motoristas por aplicativo.
Entre as ações anunciadas está a exigência de que as
plataformas informem ao consumidor qual parte do valor fica
com o aplicativo e qual parte é destinada ao trabalhador.
Hoje, o cálculo que leva à composição final do preço desses serviços não é informado. Agora, como resultado do GTT, uma portaria editada pelo Ministério da Justiça exigirá esta informação, garantindo a transparência de preços dos aplicativos. Da mesma forma, o entregador, o motorista e o restaurante também passarão a ter acesso a essas informações.
A portaria entra em vigor em 30 dias – período para que as empresas se adequem à norma.
Essa medida de transparência é fundamental para garantir uma relação de consumo mais justa e informada, permitindo que o consumidor e o trabalhador compreendam a estrutura de custos por trás de cada corrida ou entrega.
PONTOS DE APOIO
Outra medida é a instalação de pontos de apoio equipados
com banheiro, água, vestiário, área para alimentação, descanso e
conectividade para os profissionais.
Isso será feito via Acordo de Cooperação entre a Secretaria-Geral da Presidência da República e a Fundação Banco do Brasil para a instalação, inicialmente, de até 100 pontos de apoio.
Esses pontos de apoio serão instalados nas cidades com maior concentração de entregadores e motoristas por aplicativo.
Também fica instituído o Comitê Interministerial de Monitoramento e Implementação das Ações para Trabalhadores por Aplicativos, coordenado pela Secretaria-Geral em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego.
A ideia é estabelecer um espaço permanente de diálogo com a categoria, propor, integrar e monitorar ações, políticas e programas voltados aos trabalhadores por aplicativos.
Também fazem parte do comitê o Ministério da Previdência Social, o Ministério da Saúde e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
PREVENÇÃO A ACIDENTES
O relatório também prevê a inclusão do
item “Trabalhador de plataforma digital” nas fichas de notificação
do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Com
isso, será aprimorada a captura de dados de acidentes e agravos
dessa categoria para subsidiar ações de prevenção.
A melhora do bem-estar também é contemplada na inclusão dos trabalhadores por aplicativo na Pesquisa Nacional de Saúde, desenvolvida em parceria com o IBGE.
Haverá ainda a adoção da campanha “Abril Verde: juntos pela redução de mortes por acidentes e doenças do trabalho no Brasil”, com ações específicas para os trabalhadores.
REMUNERAÇÃO
O relatório, que será encaminhado ao Congresso, também
reitera as propostas já anunciadas para melhorar a remuneração dos
entregadores. Entre elas, a que eleva o valor mínimo pago
pelas plataformas a cada corrida de R$ 7,50 para R$ 10. Após quatro
quilômetros, ainda segundo as propostas, o valor adicional por
quilômetro passaria de R$ 1,50 para R$ 2,50.
Além disso, o documento sugere o fim das
entregas agrupadas, quando são feitas num mesmo trajeto e as
empresas cobram do consumidor, mas sem fazer o repasse integral aos
entregadores.
TODO APOIO
As medidas anunciadas têm apoio da CNTTL e da CUT e reforçam que a relação das plataformas com os trabalhadores é, de fato, uma relação de trabalho. Nesse sentido, devem assegurar remuneração justa, condições dignas de saúde e segurança, além de direitos fundamentais, como liberdade sindical, negociação coletiva, eliminação da discriminação e do trabalho forçado, e garantia de proteção social.
Secretário Nacional de Comunicação da CNTTL: José Carlos da Fonseca - Gibran
Redação CNTTL
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