“As mulheres têm que fazer mais parte da vida política”
A frase é da metroviária, Ivania Alves Moura, que atua na profissão há 29 anos.
Publicação: 22/07/2010
Na série “As Mulheres trabalhadoras no transporte”
desta semana, o Portal CNTT entrevistou a metroviária,
operadora de estação na estação saúde (linha azul), da Companhia
Metropolitana de São Paulo, Ivania Alves Moura, ex-Secretaria da
Mulher da CNTT-CUT (mandato 2006-2008), ex-Coordenadora da Comissão
sobre a Mulher Trabalhadora da CUT-SP e atualmente atua no Coletivo
de Mulheres do PT do Estado de São Paulo.
O metrô é considerado um dos meios de transportes mais rápidos do
planeta. A primeira linha de metrô no mundo surgiu em Londres em
1863 e no Brasil em setembro de 1974. No entanto, esta
modernidade não avançou no Estado de São Paulo, o maior do País,
nos últimos 16 anos do governo PSDB-DEM.
Tarifas caras, sucateamento das linhas, superlotação nos trens,
precariedade nas condições de trabalho e escassez de mão-de-obra
são alguns dos principais problemas enfrentados diariamente pelos
usuários e trabalhadores do metrô de São Paulo. Em entrevista à CNTT,
Ivania fala sobre o dia-a-dia da profissão e a
importância de as mulheres se qualificarem e valorizarem a
política. Confira a seguir.
Portal
CNTT-CUT: O que lhe motivou a escolha desta profissão?
Ivania Alves Moura: Nós, trabalhadores e
trabalhadoras, não podemos escolher onde trabalhar, até porque a
princípio ninguém trabalha por hobby. Trabalhamos por
necessidade e para sobreviver. Quando entrei para a política
percebi que o setor de transportes é um dos mais machistas que
existe, e tem menos mulheres trabalhando. Trabalho como metroviária
há 29 anos.
CNTT-CUT: Já sofreu algum
preconceito por ser mulher?
Ivania: Sim,
sofri vários preconceitos por ser mulher e nordestina. Em um
episódio, estava com minha irmã saindo do estacionamento de
um shopping e um cidadão com sua mulher e duas filhas parou na
minha frente para estacionar primeiro. Eu parei para ele poder
estacionar. De repente, ele deu uma ré que bateu no meu carro.
Quando desci para ver se tinha acontecido, ele começou a gritar
comigo. Na hora eu falei tanto desaforo, aí ele olhou para a placa
do meu carro e falou: “Também, além de ser mulher, olha de
onde é! A placa do meu carro é da Bahia!”. Eu o chamei de
ignorante, discriminador e machista.
CNTT-CUT: Quais foram as dificuldades para exercer a
profissão?
Ivania: Já presenciei algumas chefias na companhia
afirmarem que não gostam de trabalhar com mulheres. Além de
discriminar, falam que “o metrô é serviço para homem”. Já deu para
imaginar quem será indicado para as futuras promoções?
CNTT-CUT: Para as mulheres que almejam trabalha nesta profissão,
quais são os seus conselhos?
Ivania: Elas devem investir em qualificação e disputar
um cargo de gestão dentro da Companhia.
CNTT-CUT: Caso queira completar alguma informação, fique à
vontade.
Ivania: Sei que é difícil para as mulheres
participarem da política, mas precisamos mudar este jogo.
Afinal, somos mais da metade da população brasileira (51,2%),
portanto, é importante que a mulher valorize a política e também
faça parte dela. Até porque os homens não nasceram sabendo. Eles
aprenderam a fazer política e, portanto, não são melhores do que
nós!
Viviane Barbosa, editora do Portal CNTT-CUT, com a colaboração de
Geisi Santos.
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