Uma nova
técnica que pode levar à produção de vacina contra a AIDS,
desenvolvida com a participação de cientistas do Instituto Oswaldo
Cruz, foi destaque na última edição da revista Nature, uma das mais
conceituadas publicações científicas do mundo. A pesquisa parte de
uma nova abordagem no combate à doença, a partir do estudo de casos
de pessoas que contraíram o vírus HIV, mas nunca
adoeceram.
O
estudo
O
foco do estudo, liderado pelo pesquisador David Watkins, é a
descoberta da célula T CD8, um organismo conhecido como célula
matadora, encarregada de eliminar, do corpo, vírus e outros
componentes invasores. Em algumas pessoas, a T CD8 tem a capacidade
de matar as células contaminadas pelo vírus HIV.
O
estudo inova no combate à doença, porque, até o momento, a maior
parte das pesquisas vem centrando esforços em produzir vacinas com
a utilização de anticorpos.
Watkins
desenvolve suas pesquisas sobre AIDS na Universidade de Miami há 15
anos e atualmente trabalha em conjunto com os pesquisadores da
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Myrna Bonaldo, Ricardo Galler e
Marlon Santana, além do brasileiro Maurício Martins, que faz parte
de sua equipe nos Estados Unidos.
O
estudo do cientista, com o objetivo de criar uma vacina contra a
AIDS, ganhou força com um método patenteado pela Fiocruz em 2005,
desenvolvido por Myrna Bonaldo. A pesquisadora trabalha novas
vacinas a partir da utilização da vacina contra a febre amarela,
introduzindo modificações genéticas que poderão imunizar contra
outras doenças.
A
pesquisa para vacina contra AIDS já foi aplicada em dois grupos de
macacos Rhesus: parte deles recebeu compostos indutores de produção
de células T CD8 protetoras e outra parte não. Depois, todos os
macacos foram inoculados com o vírus SIV, semelhante ao HIV. Os que
receberam os indutores de produção da T CD8 apresentaram importante
redução na replicação do vírus. Em relação ao grupo que não recebeu
o composto, chamado controle, a replicação viral foi reduzida em
mais de 50 vezes.
Apesar dos
resultado positivos, o cientista prefere não fazer uma previsão
sobre a fabricação de uma vacina baseada no processo.
O que é
HIV
HIV é a sigla
em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da AIDS, o
vírus ataca o sistema imunológico, responsável por defender o
organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T
CD4+. E é alterando o DNA dessa célula que o HIV faz cópias de si
mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos infectados em
busca de outros saudáveis para continuar a infecção.
Ter o HIV não
é a mesma coisa que ter AIDS. Há muitos
soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem
desenvolver a doença, mas, podem transmitir o vírus a outros pelas
relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento seringas
contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a
amamentação. Por isso, é sempre importante fazer o teste e se
proteger em todas as situações.
Fique
sabendo
O
Ministério da Saúde desenvolve ações de apoio por meio do programa
Fique Sabendo para conscientizar a população sobre a importância da
realização do exame.
Os testes
para detectar o vírus HIV são realizados pelo Sistema Único de
Saúde (SUS) sigilosa e gratuitamente. Nos Centros de Testagem e
Aconselhamento (CTA), que são unidades da rede pública, os exames
podem ser feitos inclusive de forma anônima.
Ao receberem
o resultado, os pacientes passam por um processo de aconselhamento,
feito de forma cuidadosa, com o objetivo de facilitar a
interpretação do resultado pelo paciente.
Com informações do Portal Brasil
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