Morte violenta de jovens cresce quase 350%

O resultado coloca o Brasil no quarto lugar dos mais violentos entre 99 países.


Publicação: 24/07/2012
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Dados do estudo “Mapa da Violência 2012 - Crianças e Adolescentes no Brasil", realizado pelo Centro Brasileiro Estudos Latino-Americanos (CEBELA) e divulgado no último dia 18, registraram um aumento de quase 350% de mortes violentas de jovens em três décadas. O resultado coloca o Brasil no quarto lugar dos mais violentos entre 99 países. Elaborado com base nas estatísticas oficiais dos Ministérios da Saúde e da Justiça, o relatório traz números preocupantes.
No período entre 1981 e 2010, o Brasil contabilizou o assassinato de 176.044 crianças e adolescentes. A cada dia, em média, 16 pessoas com até 19 anos de idade são mortas. Isso ajuda a dimensionar o tamanho da tragédia, mas oculta um dado ainda mais alarmante. O número de homicídios nessa faixa etária é proporcionalmente maior nos últimos anos do que foi no passado.
Em 1980, a taxa de assassinatos de crianças e adolescentes era de 3,1 por 100 mil. Essa quantia cresceu constantemente ao longo do tempo e, em 2010, chegou a 13,8. Nas três décadas consideradas pelo estudo, as mortes naturais nesse grupo populacional caíram de forma acentuada: em 2010, a taxa representava menos de 25% da observada em 1980. Com as curvas de mortes naturais e homicídios avançando em direções opostas, a participação dos assassinatos no total de óbitos de crianças e adolescentes saltou de 0,7% para 11,5%.

Fatores

Os especialistas apontam que o crescimento de mortes violentas resulta de uma série de fatores que se manifestam de forma desigual nas regiões do país. As estatísticas evoluem de modo irregular entre os Estados, como por exemplo, entre as seis capitais com as maiores taxas, cinco são do Nordeste. Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro, que uma década atrás estavam entre os Estados mais violentos, melhoraram os índices.
Entre os principais motivos apresentados está a urbanização crescente e desordenada sob impulso de surtos econômicos. Mas a melhoria de indicadores econômicos não basta para diminuir o número de homicídios, pois sem políticas públicas adequadas, muitos jovens acabam buscando em gangues ou no crime uma forma de inserção social.
Interromper esse ciclo vicioso requer investimentos em ações dirigidas aos jovens. Estudos dos EUA sugerem que ações preventivas, como supervisão escolar frequente, geram economia de até 90% do que se gastaria sem elas. O estudo levou em conta 523 municípios que, segundo o Censo 2010, têm população com mais de 20 mil pessoas de zero aos 19 anos.

Com informações da Folha de SP



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