“Quem é capaz de dirigir um ônibus, se arriscar no trânsito, é capaz de dirigir sua vida”, diz Graças Costa

A frase é da Secretária de Relações de Trabalho da CUT Nacional, Maria das Graças Costa, que participou do 1º Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora em Transporte da CUT.


Publicação: 02/12/2013
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As trabalhadoras em transportes gostaram da palestra da Secretária de Relações de Trabalho da CUT Nacional, Maria das Graças Costa, professora da Prefeitura Municipal de Quixadá (Ceará), que abriu os debates do 1º Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora em Transporte da CUT, que aconteceu nos dias 29 e 30 de novembro, no auditório do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba.
A sindicalista destacou  que o movimento sindical não pode discutir apenas Campanha Salarial e condições de trabalho, mas é precisa inserir na agenda política questões de gênero. “Estou extremamente feliz em estar aqui com vocês. Todas  sabemos que a mulher na sociedade é responsável por tudo: criar a família, filhos e até o marido. Ela faz os fazeres de casa e ainda é cuidadora. Impossível um ser humano dar conta de tudo”, explica.
Graças defendeu  que  homens e mulheres tenham uma relação compartilhada e saibam dividir as responsabilidades do lar.

Público X Privado
A sindicalista citou pesquisas que mostram que a mulher trabalha mais que o homem. “Ela trabalha 44h no trabalho e 40h em casa, já o homem trabalha em média quatro horas em casa”. Graças comentou os dados alarmantes da violência doméstica e disse que as mulheres não podem se intimidar e devem denunciar seus agressores, cuja maioria são seus maridos e namorados. “ A cada cinco minutos uma mulher é espaçada no Brasil. A violência doméstica mata mais que o câncer e o acidente de trânsito. A CUT está preocupada com este lado privado, temos que rompê-lo", adverte.
A sindicalista também contou que uma das bandeiras das mulheres é a igualdade salarial. “Hoje as mulheres ganham 30% menos do que os homens e isso não é justo, por que  as mulheres têm a mesma capacidade”, argumentou.
Os combates à violência doméstica e aos assédios sexual e moral nas empresas foram outros temas abordados pela sindicalista.
O Secretário Geral da CNTT/CUT, Wagner Menezes, Marrom, comentou que as trabalhadoras no setor aéreo, aeronautas, aeroportuárias e aeroviárias, têm sofrido bastante com os assédios moral e sexual e os sindicatos cutistas têm realizado protestos, denunciando estas atitudes covardes e criminosas. 


No destaque, o assessor da CNTT, Carlos Silvestre - foto: João Batista Batistella

Política
Graças destacou que as mulheres estão avançando em vários setores, principalmente, na formação escolar. “Hoje, temos mais mulheres  com nível superior do que os homens, e isso é um avanço”.
A sindicalista disse que as mulheres precisam ocupar mais espaços na política. “No Congresso Nacional é difícil aprovar um tema de interesse dos trabalhadores, porque a maioria são empresários do agronegócio, ligados a usineiros e  banqueiros.  Apenas 30% da bancada de parlamentares estão conosco. Se cada um de nós ajudarmos a eleger um deputado (a), senador (a) do ramo do transporte, com certeza, teremos uma ampla representação. Também é fundamental uma reforma política.Temos que pensar nisso”, finalizou.

Lei Maria da Penha
Durante o debate, o assessor político da CNTT/CUT, Carlos silvestre, falou sobre o avanço da Lei Maria da Penha, que completou sete anos no País, e já colocou na cadeia 300 mil agressores.
Em sua exposição, Carlos falou da cultura de opressão, dominação e discriminação que atinge não apenas o Brasil, mas também outros países do mundo. Ele citou, por exemplo, o Japão. “É um dos países mais industrializados do mundo,  mas está atrasado em matéria de igualdade de gênero. Há uma discriminação generalizada que se tornou mais sutil nos últimos anos”, explicou.
Carlos disse que a violência doméstica não atinge somente as trabalhadoras em transportes, mas todas as mulheres, por isso, é importante denunciar. “Para alcançarmos uma sociedade justa, fraterna e sem opressão temos que nos unir, companheiras, para juntas combatermos a discriminação. Somos diferentes sim, mas queremos condições iguais”, terminou o discurso bastante aplaudido pelas trabalhadoras.

Troca de experiências
Após a palestra da dirigente cutista, Silvestre e a assessora de Comunicação do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba, Fabiana Caramez, que coordenaram a mesa, abriram para perguntas do público. Embora tímidas, as trabalhadoras em transportes se encorajaram e pegaram o microfone e, ao invés, de perguntas elas trocaram experiências.
Esse foi o caso da agente de bordo de Sorocaba, Luciana Sanches Souza, (foto abaixo) que sofreu uma tentativa de estupro dentro da empresa. “Isso aconteceu em fevereiro deste ano, mas eu não fiquei quieta. Se eu não tivesse ido ao Sindicato, ninguém teria feito nada por mim”, concluiu.

 


Acima a agente de bordo, Luciana Sanches Souza -  foto: João Batista Batistella

Veja mais fotos do evento no nosso Flickr.

Viviane Barbosa, editora do Portal da CNTT/CUT

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Matéria atualizada às 9h47 do dia 2 de dezembro 2013

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