Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes

Trabalhadores em transportes aprovam Plano de Lutas na 15ª Plenária da CUT

Delegados e delegadas cutistas debateram ações para fortalecer a resistência contra a política neoliberal do governo ilegítimo de Michel Temer

Por: Viviane Barbosa e Vanessa Barboza, da Redação CNTTL/CUT
Publicação: 31/08/2017
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Reunião dos Trabalhadores em Transportes na Plenária Nacional da CUT - foto: Mídia Consulte

Dirigentes dos modais de transporte aéreo, rodoviário, portuário, ferroviário e metroviário de todo o país da base da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística da CUT (CNTTL/CUT) participaram da 15ª Plenária/Congresso Extraordinário e Exclusivo da CUT, que ocorreu de 28 a 31 de agosto, em São Paulo.

Nesses quatro dias, participaram da atividade uma delegação internacional de quase 100 pessoas de todas as regiões do mundo, mais de 720 delegados e delegadas de todo país e movimentos sociais do campo e da cidade, da Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo.  

Os delegados e delegadas cutistas debateram ações para fortalecer e aumentar a resistência e a luta contra a política neoliberal avassaladora implementada pelo governo ilegítimo de Michel Temer que, com apoio da maioria de seus aliados no Congresso Nacional, aprovou leis que retiram direitos e precarizam as relações de trabalho, como a “reforma” trabalhista e a Lei da Terceirização.


Debora Cavalcanti, aeroviária de Guarulhos, Eduardo Guterra, vice-presidente da CNTTL e Paulinho, presidente da CNTTL - foto: Mídia Consulte

Privatização e precarização

O combate à entrega do patrimônio público brasileiro para o capital estrangeiro, com o anúncio da privatização de empresas públicas rentáveis, como Eletrobrás, Infraero, Portos, do transporte sobre trilhos, também teve um debate aprofundado pelos dirigentes sindicais cutistas.

Os impactos da financeirização, automoção e das novas tecnologias, como a “uberização”, foram outros temas importantes debatidos que impactam nas mudanças das relações de trabalho no Brasil e no mundo, gerando trabalhos precários, desempregos e até extinção de algumas categorias no futuro do trabalho.

“São assuntos extremamente importantes que nos mostram que com a nova Lei trabalhista, a terceirização e as transformações do mundo com as novas tecnologias nós temos que traçar estratégias para continuar lutando pelos direitos da classe trabalhadora”, disse o vice-presidente da CNTTL/CUT, presidente da Federação Nacional dos Portuários (FNP) e diretor da Direção Executiva da CUT Nacional, Eduardo Lírio Guterra. 


Plano de Lutas 

No último dia da 15ª Plenária (31 de agosto), os dirigentes definiram um calendário de lutas permanentes contra as  reformas Trabalhista e Previdenciária e contra a entrega das empresas públicas. 
A primeira grande ação está agendada para 14 de setembro, com a realização de um Dia Nacional de Lutas em defesa dos empregos na indústria e das estatais. Os ramos metalúrgico e dos transportes farão parte desse movimento.

Para se contrapor à entrada em vigor da “reforma” Trabalhista, em 11 de novembro, os movimentos sindical e sociais  preparam uma caravana a Brasília na primeira quinzena do mês.

O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, reforçou aos delegados e delegadas que a luta tem que ser intensificada nos locais de trabalho, nas manifestações e nas greves. Ele também relembrou que a  força da CUT foi uma das principais responsáveis na construção da maior greve da história do país, há exatamente quatro meses [28 de abril de 2017], que paralisou mais de 40 milhões de brasileiros. 

 “Temos reforçar ao trabalhador e trabalhadora para que não vote em patrão, se quiser seus direitos de volta. Tem que eleger representantes da classe trabalhadora! Não adianta o Lula ganhar sem eleger deputados e deputadas pra que ele consiga governar”, destacou. 


 No destaque, o presidente da CNTTL, Paulinho - foto: Mídia Consulte 

Enfrentamento à Reforma Trabalhista

Em entrevista ao Portal da CNTTL/CUT, o presidente da CNTTL, Paulo João Estausia, o Paulinho, destacou que o ramo dos transportes continuará tendo um papel protagonista nas ações convocadas pela CUT e vai centralizar esforços nos combates às privatizações e terceirizações, que estão invadindo os demais sistemas de transporte. 

“Plenária como essa deveria acontecer mais vezes. Nós, da CNTTL, temos lutas específicas, como a questão das privatizações que estão devastando setores importantes nossos, como o aéreo e o marítimo, trazendo prejuízos irreversíveis. Os impactos dos avanços  tecnológicos também nos atingem, um exemplo, é o fim do posto de trabalho do cobrador, com a bilhetagem eletrônica. Temos o projeto de lei do deputado Vicentinho (PT/SP), que garante o segundo posto de trabalho no transporte urbano e suburbano, mas temos que nos mobilizar e dar apoio para poder entrar em pauta no Congresso”, conta Paulinho.

Nos dias 8,9 e 10 de novembro, na sede Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), em Brasília, a CNTTL fará um Seminário Nacional que fará um amplo debate sobre os impactos da nova Lei Trabalhista (Lei nº 13.467/2017) para os trabalhadores em transportes. 

A ideia é reunir os departamentos jurídicos dos Sindicatos e Federações filiadas para atualizar e definir ações conjuntas, bem como debater a questão da sustentação financeira, a importância da comunicação sindical e o uso das redes sociais no enfrentamento aos ataques aos direitos.

Também será debatida a criação de um Plano Nacional de Mobilização e estratégias de lutas em defesa dos direitos.

“Vamos fazer uma interação de todos os modais de transporte para que possamos fazer uma greve geral com muita mais eficácia do que as realizadas anteriormente”, concluiu Paulinho. 


Foto: Roberto Parizotti


Confira o calendário de Lutas aprovado na 15ª Plenária/Congresso Extraordinário e Exclusivo da CUT


7 de setembro: Lançamento da Campanha pela Revogação da nefasta reforma trabalhista. Meta é coletar mais de 1,3 milhão de assinaturas para enviar ao Congresso Nacional em apoio ao projeto de lei de iniciativa popular que pede sua revogação.

Grito dos Excluídos (7/9): A CUT irá disponibilizar kits para coletas de assinaturas, com a organização de comitês e ações de mobilização pelos sindicatos de base, em parceria com os parceiros da central nos movimento sociais. 

14 de setembro: Dia Nacional de Luta em defesa dos direitos, empregos na indústria,  das estatais e  contra a reforma da previdência.

3 de outubro: Aniversário da Petrobras. O Rio de Janeiro irá promover uma grande manifestação contra a entrega da empresa e de outros patrimônios públicos. Outras manifestações nos estados nessa data poderão ampliar sua visibilidade.

11 de novembro: Os movimentos sindical e sociais preparam uma caravana a Brasília na primeira quinzena do mês. Além desses pontos, a Central vai manter o enfrentamento ao golpe, apoiando ações em defesa de democracia e do direito de Lula disputar as eleições.
 

Transportando CNTTL-CUT
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